quarta-feira, 21 de setembro de 2016

Acúmulos

A mega sena acumulou bem como o lixo na esquina de casa. Esse, e outros textos, em minha mente acumularam por falta de interesse. Antigamente era só ver uma ação qualquer na rua que pronto, texto feito na mente, passado para o computador, de computador para o blog e conversas com pessoas a respeito daquilo. Alguns desses textos, veja você, até cena em teatro virou. Um projeto de musicar alguns textos, ou apenas transformar em vídeo estão engavetados, e por que? Acúmulos.
Entrei no Twitter, depois no Facebook, no recém descoberto Medium, curti fotos no Instagram, ouvi duas musicas no Spotify e fui dar aula, com três contas de e-mails abertas. Nas aulas explico o que tem que ser feito e vou para o Word colocar as ideias para as festas de final de ano da escola em ordem. Mais um pouco de acúmulo.
 
No almoço conversamos sobre o dia anterior, as coisas da manhã do mesmo dia, falamos o que sabemos de como serão as coisas, ou como gostaríamos que fossem, e vamos para o período da tarde fazer ou refazer tudo como fora de manhã, só que com mais ansiedade de dar o horário para ir embora para casa. No caminho pra casa há trânsito, barulho, buzinas, sirenes, informações de políticos que querem se eleger no próximo domingo. Um monte de acúmulo de informação.
 
Em casa, nada diferente, banho, leitura, conversa daqui, conversa dali para entender o dia de cada um, ajudar nas tarefas domésticas, ler um bom livro, acessar mais uma vez cada rede social para ver se está tudo em ordem, assistir ao jornal na TV Cultura, deitar e pensar no que foi acumulado durante o dia. Dormir? Mal se dorme com o acúmulo de informação na cabeça.
 
Quando era pequeno acumulava risos, alegrias, bolas, brinquedos, arranhões, vontades, desilusões, angústias, carinhos e chaveiros. Era um acúmulo diferente, mas que previa os acúmulos que viriam pela frente.
 
Penso se um dia irei desacumular tudo isso, afinal, a mega sena e o lixo, uma hora, deixam de estar acumulados.

sexta-feira, 16 de setembro de 2016

Medo x Liberdade


Nascemos anarquistas. Não temos medo de nada, até aparecer um adulto com seus “não faça” e vamos alimentando o que não tínhamos e começou a fazer parte de nós, o medo.

O medo é a falta de segurança, é a vontade de fazer tudo, mas achando que qualquer pequena coisa vai dar errado. O medo nos bloqueia de atravessar a rua sem observar a nuvem, o medo nos bloqueia o modo de olhar no rosto da pessoa com medo de ser julgado, o medo nos impossibilita de amar, pois queremos é ser amado, idolatrado.

Plantam o medo uma única vez e nós o regamos de várias formas, não há necessidade disso, podemos, como diz o dito, matar o medo pela raiz, mas quem o faz?

Anarquistas graças à Deus. Medroso graças aos humanos.

quarta-feira, 17 de agosto de 2016

Sorriso

Todos os dias, as 7 horas, lá está o auxiliar de limpeza limpando tudo. Passo por ele somente às quartas-feiras e ele me dá bom dia sorrindo. Nunca falhou. São 5 anos assim e, em dias que passo para ver outros serviços, ele dá o mesmo bom dia com o mesmo sorriso.

Não sei se atrás desse sorriso há dor ou amor, se a felicidade demonstrada é real ou não, sei que não falha esse demonstrar de alegria vindo dele.

Penso se ele sorri agradecendo pelo dia que Deus lhe deu, se sorri por ter emprego, se sorri por limpar o caminho que a todos passarão, se sorri por estar contente, se sorri porque quer mostrar os dentes, se sorri pois é o que de melhor pode fazer.

Já pensei em parar e conversar, entender o motivo daquele sorriso sincero que ele emite, mas nem sempre a pressa permite. Essa tal pressa que impossibilita a criação de diálogos sensatos, e nos faz apenas pensar.

Pensei até, será que é um sorriso mesmo ou somente um formato que o rosto dele adquiriu com o passar do tempo?

Sei que sempre que o vejo eu acabo sorrindo também, e meu sorriso vem de ver que o sorriso dele me dá energia para o dia que começa.

quinta-feira, 12 de maio de 2016

Feliz?


Eu tenho um jeito estranho de pensar. Penso positivo de tudo, penso que as cosias podem dar certo mesmo longe do fim perfeito.

Eu acredito, e acredito porque há uma força dentro de mim, leia bem, dentro de mim, que me faz sentir essa crença.

Eu fui o espermatozoide mais rápido, e logo estava engatinhando e alegrando, depois resolvi brincar de viver, onde a vida não seria uma eterna cobrança, uma eterna conjunção de coisas obrigatórias.

Brinquei demais, corri, pulei, vibrei, me quebrei, vivenciei.

Uma vez, um problema de matemática me atormentava, me enxia a cabeça, eu preso ali e aquele “bendito” Marcelo que não saia da venda com um monte de chicletes baratos. Aquilo me fez entender a matemática, e também o português, historia, geografia, enfim, entender que sempre vai ter um problema me enchendo o saco.

E me enche o saco porque eu quero, mais que demais, ser feliz, e ai vem alguma coisa e quer tirar meu sono, minha paciência, minha felicidade. Felicidade incomoda, eu sei, mas eu incomodo muito mais.

Os problemas sempre vão surgir, mas se eu fizer deles o meu principal ideal no dia, tudo irá por água abaixo, não posso.

Preciso sorrir, preciso amar, preciso conviver, preciso precisar de precisões, mas no tempo de cada uma, o meu eu faço, mas tenho que aguardar o outro também, seja para ajudar ou não.

 

quinta-feira, 14 de abril de 2016

Sim, Basquete é muito melhor que futebol

E o primeiro ponto a favor do Basquete é que não existe empate, alguém tem que ganhar e, logo, alguém perder. Os caras jogam dia sim, dia não, as vezes até seguidamente, e estão inteiros. Não importa se é a NBB ou a NBA, o basquete traz muito mais emoções.

Na ultima quarta-feira, 13/04, o time do Golden State Warriors completou 73 vitorias em 82 jogos. Stephen Curry, seu principal jogador, acertou 400 arremessos de 3 pontos, logo marcou mais que 1200 pontos no ano.

Sempre escuto “basquete não tem hora para acabar” ou “o cara entra para marcar apenas”. Sim os jogos ficam longos por conta de tantas pausas, mas em cada pausa é um novo jogo que inicia, com as mexidas dos técnicos, que aqui sim tem a mão mais importante que no futebol. Ah, o cara entrar para marcar determinado jogador ou então pra segurar o jogo ou para arremessar de 3 pontos apenas. Imagina no futebol você ter um cara que só é bom batendo falta, ele fica no banco descansando, ai entra, bate a falta e gol, isso não seria bom? Ou então o técnico parar a partida para mexer no time? Fora a ajuda eletrônica que é bem vinda.

Os caras que jogam basquete jogam muito mais por amor do que os do futebol. Futebol é negocio, é dinheiro, é grana fácil, o cara no basquete rala contra tudo e contra todos, ele vai atrás de um sonho e faz por amor, não igual as celebridades do futebol que ganham para posar de cueca, boné ou segurar um celular.

Basquete sim, é o esporte coletivo mais legal que há.

quarta-feira, 30 de março de 2016

Maníacos por series

Observo direto na mídia e nas redes sociais as pessoas vangloriando determinada série de TV. Tento entender as pessoas gostarem tanto disso, que pra mim é como uma novela, mas sem ser diária.
Meu vi como um não espectador disso. Olhei várias séries que são exibidas por ai e nada. Mas ai a HBO estreou “Vinyl” que fala sobre a indústria da musica em 1973, fiquei curioso e decidi assistir e adorei. Não me viciei, mas assisti à todos episódios até agora.
Como é uma coisa semanal, fui atrás de outras séries e acabei me interessando por “House of Cards” que fala sobre a manipulação do poder nos EUA, mas que é muito praticado no mundo todo, e tem muito a ver com a atual situação brasileira. Essa série, que consigo assistir mais corriqueiramente, estou na metade da 4ª temporada.
Mas não me atentei somente às essas duas que são “baseadas em fatos reais” estou assistindo também à “Once upon a time” que conta a história de um moleque que vive em Storyboard e acha que todos habitantes são personagens de contos de fadas. Uma série fictícia e que tenho assistido, mas tem muitos episódios, acredito que possa cansar.
Relembrei de coisas que assisti antes disso ser uma “moda”, lembro de assistir “Armação Ilimitada”, “Profissão Perigo”, “Trovão Azul”, “Barrados no Baile”, “O elo perdido”, “Chaves”, “Chips”, “A feiticeira”, “Jeannie é um gênio”, entre milhares de outras que me falha a memoria agora, mas sem esquecer da maior de todas “Anos incríveis” que passava na TV Cultura.
Acho que eu também fui/sou um maníaco por séries.

quinta-feira, 9 de abril de 2015

Morrendo

Eu acho que vou morrer em um domingo. Acho isso porque não gosto da ideia de morrer, nem gosto do domingo, logo...
E vai ser um domingo de sol, vai ter calor, outra coisa que não gosto.
Não sei se vai ter futebol, se vou estragar a partida de alguém com minha partida, mas futebol já foi legal.
Alias, nem sei se vai ter muita gente, outrora estaria lotado, com o ritmo alucinado que vivia, hoje acho que poucos estarão presentes quando eu me tornar ausente.
A roupa é o que menos vai me importar, nem a que usarei nem a que as pessoas vão usar.
Queria no velório apenas musicas que eu gosto, para, quem sabe, alegrar que ali aparecer.
Flores? Desnecessárias. São coisas semi mortas para alguém que nem vida mais tem.
Acredito que será um domingo sem Silvio Santos, sem Faustão, sem emoção.
Um domingo que sentirei saudade da macarronada da minha mãe, das brincadeiras do meu pai, do sorriso do meu irmão, do doce de abobora da minha vó e da preguiça que costuma dar.
Quando vai ser esse domingo? Não sei não, mas eu tenho quase que certeza que ele demorará a chegar.

segunda-feira, 16 de março de 2015

Manifestações

Então nesse domingo, dia 15/03/2015, parte do povo brasileiro foi às ruas se manifestar? Eu não fui. Simples, eu me manifestei na eleição em 2014, eu não viajei deixando de exercer meu dever, para agora, ir às ruas e ser do contra.

O número de pessoas que deixou de votar nas eleições de 2014 foi muito grande, muito em parte porque muita gente tirou o dia para viajar e agora está nas ruas, no facebook, no instagram ou twitter reivindicando algo, mas por que viajou então???

Não votei em Dilma, não gosto dela, não votei em Lula também, e não sou eleitor de partido e sim de ideais, por isso afirmo que votei em outros petistas antes, mas não agora.

Dizem que é a elite branca quem foi para a rua contra a bandeira vermelha, perai, tem cor agora para votar e/ou reclamar?

Sim, pelo que vi foi muito mais gente que tem dinheiro, pouco ou muito, que resolveu criticar o governo, pois o pobre mesmo não entrou no embalo da rede Globo de televisão. Ok, tinha gente da periferia, mas tinha muito mais gente com camisas da CBF feitas pela NIKE e tomando uma Budweiser para manifestar.

Exatamente isso, usando a roupa de uma das parceiras da presidência, e tomando uma cerveja gringa, esse é o povo brasileiro?

Sim, eu sei, tenho noção que tinha muita gente ali honrada com o que pensa, com o que quer pelo Brasil, eu também o quero, mas muita gente ali foi no embalo, foi para tirar a selfie do final de semana e mostrar que foi, mas foi para que? Para pedir intervenção militar?

Eita povo sem noção sô.

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

Idade

Acabei de completar 40 anos. Lá se vão 4 décadas de muita coisa acontecida. Sonhos, realidades, realizações, ganhos, perdas, decepções, alegrias. Nem em ordem alfabética coloquei dessa vez visto que não tem uma importância, assim como veio à mente eu fui digitando.

Sempre fui um menino quieto. Era tímido. Fazia amizades sempre em torno do futebol, onde eu me soltava, ali eu era parte do meio, diferente de qualquer outro lugar. De resto, era difícil eu olhar no olho de alguém.

Cresci e adolescente comecei a descobrir o mundo, as dores do mundo. Fui vivendo e tentando entender tudo, e o meio começou a se ampliar, futebol e musica se tornaram meio de conhecer as pessoas e ter amizades.

Na fase adulta as coisas são obrigadas a mudar. Você tem que dar a cara a tapa, tem que ir atrás de tudo que deseja, lutar muito por isso. Não perdi a timidez, aprendi a deixar ela quieta num canto dentro de mim, mas está sempre do lado de fora.

Percebi que mudei. O menino quieto virou o adulto brincalhão, aconselhador, amigo. Parei com o futebol. A musica, ah essa sempre comigo.

Vejo hoje que eu devo ter invertido algumas coisas nessa vida, pois hoje gosto mais de brincar, de correr, de viver do que quando criança. Hoje sou hiperativo, digo sempre “dormir pra que?”. Amo estar vivo e fazendo o que gosto, aprendendo, amando.

Mas o corpo... ah essa velha carcaça começa a pedir para parar. Enquanto a cabeça pede mais ele tem quase implorado por sossego. “Poxa corpo, justo pra mim?” é o que me pergunto todo dia, já que idas aos médicos aumentaram. Fisioterapia, remédio, cuidados a serem tomados e por ai vai.

E assim vou vivendo, como costumo dizer para as pessoas. Querendo sempre mais, tendo sempre o necessário, aprendendo a lidar com tudo, pois tudo tem que ser assim mesmo.

(Depois de um longo sumiço virtual cá estou)

quinta-feira, 23 de outubro de 2014

Além do meu tempo

Sempre digo a mesma frase “Não sou melhor que ninguém” tenho uma humildade que não é mentirosa, e reconheço as coisas, só que faz um tempo que tenho me achado “além do meu tempo”.

Quando eu estava no colégio, lá pelos idos do fim da década de 80 e inicio de 90 achava que esse lance de vestibular iria cair por terra, que as coisas seriam diferentes, e temos, há algum tempo, os cursos profissionalizantes, que tem feito mais sentido que muita faculdade, afinal na faculdade você fica/ficava 4 ou 5 anos com um monte de coisa “sem sentido” e hoje os cursos estão mais enxutos pois há a fuga para os cursos que são mais diretos.

Passei minha infância sofrendo com os benditos cadernos de caligrafia, odiava aquilo, me causou traumas e viva falando que trabalharia com algo que não fosse preciso escrever. E cá estou, com o computador, onde a minha letra e a da pessoa que tinha a letra mais bonita no caderno são iguais e compreensivas.

Dou aulas desde 2002, mas desde 1999 digo que não é necessário o tal “material didático” para ir para a escola, eu mesmo ia para a escola com o cartão para passar na catraca apenas, afinal prestava atenção nas aulas e assimilava o que era explicado, e hoje, com esses smartphones e tablets, até mesmo notebooks, não é necessário muita coisa para ir para a escola.

Pra que ir a lugares longe se há a vídeo conferência? Lembro que eu sempre achei que isso iria acontecer um dia, você estar em dois lugares ao mesmo tempo.

Hoje a eleição é feita de forma rápida e eficaz, com urna eletrônica, acredito que logo iremos votar de casa, sentados em nossos sofás.

Posso pagar contas pelo celular, caso não as tenha colocado em débito automático.

Acredito que logo as escolas estarão fadadas ao simples fato do aluno ir apenas à formatura, se essa ainda existir.

Eu visualizo algumas coisas que acredito que irão mudar logo, seja pelo bem ou pelo mal, mas como disse no post anterior, tudo é consequência de uma série de coisas, cabe a cada um se adaptar.

sexta-feira, 17 de outubro de 2014

Onde vamos parar?

Quando eu era menor, na década de 80, eu ouvia que no futuro tudo seria melhor. Lembro-me de uma professora minha da 4ª série que falava que um dia iríamos falar ao telefone com a pessoa podendo ver o que ela fazia, isso lá no longínquo ano de 1985.

Ouvia pensadores, poetas, físicos, profetas, enfim, ouvia muita gente dizendo que tudo iria melhorar, que a tecnologia mudaria nossas vidas, e pra mim o melhor da tecnologia era poder jogar vídeo game e ter o vídeo cassete para gravar os programas enquanto eu brincava.

Em 2002, quando fiz meu TCC na faculdade, falei sobre Inteligência Artificial, e eu acreditava que a partir de 2012 teríamos robôs nas ruas fazendo cosias que muita gente faz.

Estou escrevendo esse texto numa sexta-feira de outubro, está um calor absurdo na primavera (ainda existem estações do ano?) e com a falta de água sendo algo que está assustando a todos. Fora o medo do tal Ebola que assola o planeta.

Me pergunto, o que toda essa tecnologia trouxe de bom realmente para nós? Aproximou as pessoas via dedo no smartphone, mas distanciou o abraço, o toque, o olhar. Aumentou o gasto de luz, por consequência da água, e estamos enfrentando tempos difíceis onde não sabemos se terá um copo de água para tomarmos depois de ler esse texto tosco.


Será que o século XIX trouxe algo de bom para nós? Será que alguém viverá para contar sobre ele no próximo século? Será que haverá água, luz, gente, vida?

Cada dia está mais difícil nesse quesito, estamos nos alegrando com coisas em uma tela de retina minúscula que nos dá “tudo” mas não temos nem água para beber ou tomar banho. E se todo mundo desligasse tudo? E se a gente passasse a plantar árvores? E se nós parássemos de olhar para o futuro e tentássemos viver como no passado? 
Não sei onde vamos parar, não tenho a mínima ideia, mas vejo que cada dia se torna mais nebuloso para todos nós no futuro.