terça-feira, 14 de setembro de 2010

Flinstones X Jetsons

Acordei com sono, alias, tenho vivido com sono. É o dia a dia que cansa, já me disseram.

Ontem voltando da faculdade não coloquei fone de ouvido, cansei de ouvir as mesmas coisas (Deus me perdoe, o que to falando? Cansei de ouvir Engenheiros? Perdão Senhor) mas nem coloquei os benditos sons e nem consegui dormir no vagão. Cheguei em casa e fiquei fazendo trabalho até meia noite, arrumando o que não acabara no domingo anterior.

Me dei o direito de voltar no tempo, retrocedi 10 anos e me lembrei de quando estava fazendo a outra faculdade (sou formado em Ciencias da Computação e hoje faço Letras, diversidade é comigo) e naquela época eu fazia faculdade de manhã e trabalhava a tarde/noite, chegava em casa o mesmo horário que chego hoje, andava de ônibus e metrô na mesma forma que ando hoje, até a distancia é a mesma, e naquela época eu não me cansava assim, não tinha esse sono, tanto que vivia lendo no metrô. Não tinha celular, ouvia musicas num walkman, não tinha que ler mil coisas, tinha que “decorar” inúmeros comandos.

Voltei mais 10 anos, na época que estava no colegial, ah época boa, mal dormia, ia para o colégio logo cedo, ia a pé achando amigos pelo caminho, celular nem existia, computador era só para jogar, estudava de manhã, trabalhava a tarde e começo da noite, chegava em casa ia ler, ver TV (naquela época a MTV tinha acabado de surgir e era boa), e mal dormia, final de semana era futebol e discoteca, e estava sempre são, só pegava metrô para ir na Galeria do Rock, aprontava mil coisas.

E mais 10 anos no passado eu ia para o pré 1, desenhava, pintava, chegava em casa jogava bola no grande quintal, ouvia musicas que tocavam no radio da minha mãe (daí o conhecimento vasto de tanta musica “brega”) empinava pipa, jogava bolinha de gude, ia dormir cedo, pois era hiper ativo. Não tínhamos telefone em casa e a TV era em preto e branco.

Retrocedendo mais 10 anos descubro que meus pais nem se conheciam. Sei que ambos trabalhavam, meu pai já dando duro para ter tudo que tem até hoje e minha mãe batalhando para ajudar em casa.

Voltei, estou em 2010 já. E comecei a tentar entender se era tudo melhor na época dos Flinstones ou hoje nos Jetsons... Assistia aos desenhos e queria a todo custo chegar na modernidade de George Jetson, ter tudo a clicks, apertar botão e pronto, La está a comidinha feita em segundos.

Mas hoje penso de como queria estar igual ao Bambam, brincando, correndo, tendo um Dino ao meu lado (alias, o meu de pelúcia dei a uma amiga do teatro) e sendo feliz, sem me preocupar com a tecnologia, que chegou para ajudar, mas ajuda a quem?

7 comentários:

  1. Que bela crônica, obrigado! Nasci em 1982, sou formado em letras e penso o mesmo. A pergunta no final ficou ótima.

    Um abraço!

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  2. Oi Boa noite ! Como vai você? Eu adoro ler suas postagens acho muito Interessante, e você é uma pessoa muito inteligente' gosto muito disso ! fica com deus beijos. '

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  3. que texto lindo. adorei. sempre passo por aqui e vejo seus textos, mas esse é realmente excelente. e eu acho que prefiro Flinstones à Jetsons. e sinto falta também da época que estudava de manhã e ia à pé para a escola...

    =)

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  4. Por isso que não troco o meu trabalho por nada nesse mundo!
    Bom, talvez, troque um dia em dar aula para o Ensino Infantil, mas fora isso, não troco não!

    Fazer Estudo do Meio com as crianças, é algo tão energizante e sem rotina, que eu adoro!
    Beijos

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  5. Feliz do semeador que vê a semente germinar!

    Boa semeadura!

    Abraços,

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  6. Mas o que você pensa que é melhor, fazer o que gosta ou gostar do que faz? Acho que você tem que gostar do que faz, mas são tantos ângulos diferentes que às vezes não me entendo nos meus pensamentos.

    Adorei o texto e o blog em si, intrigante!
    Beijos

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  7. Ronaldo, obrigada pela dica. Já até arrumei isso. É que agora que eu estou começando a usar mais o blog, haha

    beijos

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É legal expor o que pensamos, eu já fiz a minha parte e você está fazendo a sua agora, e eu agradeço.